segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Psicose e Clínica dos Nós no Último Ensino de Lacan: Por que Joyce?

Curso sobre a psicose e a virada no último ensino de Lacan. Por que Joyce? O que fez com que Lacan mudasse o rumo do seminário 22 para o 23, tocado pela literatura desse escritor irlandês tão singular?
Aguardo os interessados!



Link Direto para a página de inscrição: Acesse aqui
Os boletos que não forem gerados, serão enviados posteriormente pela instituição.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sobre o cartaz - Gradiva

"Sonhos criados por escritores imaginativos"... assim descreve Freud para nos apresentar - e aos surrealistas, em especial Dalí - o conto de Wilhelm Jensen.
Gradiva - imagem símbolo de nosso Grupo de Pesquisa - significa em latim "aquela que avança". É também, o nome dado pelo escritor (do conto) à escultura em relevo-baixo que também ganha vida, fama e se encontra hoje no Museu do Vaticano. Assim são interpretados delírios e sonhos do personagem, mas sobretudo fantasias sobre essa figura feminina e sobre Pompeia.

Em 2016 usamos para cartaz do projeto, a imagem da Gradiva em mármore. Agora, para 2018, (re)lançaremos a partir da ‘Gradiva’ de Dalí como sendo “aquela que avança na arte”, assim como pretendemos avançar nos estudos.



Cartaz - Marcia  Müller Garcez
Fevereiro de 2018

Voltamos!


Convidamos aos interessados! Retomaremos o projeto de visitar de forma dinâmica e cronológica as obras de Freud, relacionando o percurso da psicanálise com aspectos biográficos do psicanalista. Sempre com o olhar e a orientação lacaniana. Início abril de 2018.



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Golpe da Classificação Diagnóstica

Pelo segundo semestre consecutivo trabalhei com o documentário 'Infância sob controle' que traz à tona a incidência da medicalização e controle sobre a infância e adolescência. A diferença é que no primeiro momento, meu otimismo predominava, achava que a psicanálise/psicologia sempre poderia intervir sobre o resto que retorna na tentativa de foracluir o sujeito. No entanto, temos vivido tantos absurdos que me peguei preocupada. Tenho lido textos que reforçam o conteúdo do documentário tecendo uma crítica ao próprio DSM, tão criticado por nós. Sim, criticado por nós por classificar demais, contribuir para a medicalização, não ouvir o sujeito, e por isso, desconsiderar a singularidade. Porém, o DSM é atacado agora por uma ciência ainda mais positivista que mapeia o ser humano de forma robotizável. É acusado de ser ateorico, pelo projeto Rdoc -  Research Domain Crtiteria, lançado por Thomas Insel. Talvez fôssemos felizes sem saber, justamente por não querer um determinismo, um saber preditivo. Assim, encontramos um  caminho no furo do "ateorismo" e aprendemos a lidar e trabalhar com críticas construtivas sobre o DSM e nossa prática. Quando Allen Frances abandonou o projeto - DSM V - comemoramos. Não esperávamos o que ainda está por vir. Será que teremos que gritar e usar hashtags #FicaDSM? Mesmo com todos os seus problemas? Preparemo-nos para o golpe da indústria farmacológica e de domínio social, a indústria do controle mental.
Abaixo link do documentário e texto de apoio de Gilson Lannini e Antônio Teixeira.





Marcia Müller Garcez

*imagem:' Lição de Anatomia do Dr. Tulp', Rembrandt.
Texto: http://subversos.com.br/reflexoes-sobre-o-dsm-100-1/

Link documentário:
https://youtu.be/tcELUUqx1w4 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sutilezas que deflagram o excesso no Mito ‘Rei Édipo’


Acostumados a designar a Tragédia Grega, de Sófocles – ‘Rei Édipo’, como um regulador da ordem fálica, o restringimos ao campo simbólico, ainda que Lacan tenha avançado na teorização do ‘Complexo de Édipo’ freudiano, com a inclusão da linguagem e dos significantes. Mesmo passando da lógica do Ter para a do Ser, nos referimos ao drama edípico como o que designa a ordem fálica e mencionamos a usual expressão ‘Além Édipo’ para avançarmos. Assim nos mostra Lacan (2005, p.36) quando eleva a castração ao esquema elementar da divisão do sujeito, onde a barra da proibição incide sobre S e A, elucidando a divisão que resulta na perda irreparável. Porém, tratamos de voltar nosso olhar para o drama, na tentativa de demarcar algo que estaria ‘Além Édipo’ no próprio Édipo. Assim, podemos apontá-lo, já que estamos nos debruçando sobre o feminino, suas sutilezas e excessos, no que tange a Jocasta, entre suas escolhas, funções e conseqüências nesta trama.
Jocasta e Laio entregam seu filho ao Destino, mesmo sabendo o que este lhes reservara. Tal qual a rainha má de ‘A Branca de Neve’, entrega a jovem ao caçador, mas pede seu coração como garantia. Ou mesmo,Cronos que devora os filhos sem deixar rastros para o Destino, tendo este se cumprido, apenas pelo desejo da mulher, de que pelo menos um filho sobrevivesse, matasse e ocupasse o lugar do pai. O que temos no mito de Édipo é uma mãe que entrega seu filho numa suposta castração, sem garantias de que ela se efetivasse, pelo contrário, entrega-o justamente ao Destino já premeditado. Após ter entregue seu filho em nome do amor a Laio – uma vez que o incesto, ao manter o filho no seio da família poderia ser impedido, mas, não o parricídio – Jocasta substitui o rei, quando morto. Recebe em seu lugar, aquele que é aclamado pelo povo por decifrar o enigma da Esfinge, derrotando-a. Não só o acolhe em seu lar, como também, ela o aceita como homem, e dele gera quatro filhos.
Podemos pensar aqui em uma reparação da castração, ou, antes disso, que esta tenha sido apenas suposta, visto que o Destino avisara que o filho retornaria à mãe. No seminário 20, Lacan menciona que pelo fato da mulher ser não-toda, “ela tem, em relação ao que designa de gozo a função fálica, um gozo suplementar.” (p.99). Descarta o complementar, que retornaria ao todo, mas ressalta um gozo para além do falo, que pode ser experimentado, mas não dito. Talvez encontremos nos mitos uma dramatização do que seria isso em sua origem. Retiramos da Tragédia, quando o desespero de Jocasta se acentua, à medida que, Édipo, ávido a desconstruir sua história até o S1 que marca seu nascimento: Pelas divindades imortais! Se tens amor a tua vida, abandona essa preocupação.” (sem ano, p. 124-125). 
Seria o gozo para além do falo, experimentado e que não pode ser explicado? Ou, podemos localizar aí, ainda no suplício para que a verdade não venha à tona, um gozo absoluto que transcende a questão do feminino e do não-todoUm gozo mortífero, louco, que culmina na morte. Devemos demarcar que não se trata aqui da loucura na vertente da psicose ou de A Mulher, mas de um fazer com a castração que não supõe, a inocência ou o não-saber que está apenas para Édipo nas investigações, mas não para aquela que consente em entregar o filho à morte, sem garantias. O Destino se cumpre, trazendo-o como homem, e também de volta ao ventre, com seus filhos, marcando essa entrega não apenas para findar a castração que se repararia no futuro, mas para viver o gozo proibido. Com a revelação daquilo que é mortífero, só resta à Jocasta a morteEnquanto que Édipo efetiva a castração do Outro, com a extração dos próprios olhos, não aqui na visão romântica de que sofrera um golpe do Destino, mas liquidando justamente aquilo que não pode ver: A Mulher em suas faces frente ao horror da castração (reparada) – mulher, mãe e avó de seus filhos. 


Referências Bibliográficas:

Sófocles. Tragédias Gregas. Edições de Ouro, sem ano.
Lacan, J. O Seminário, livro 20: mais, ainda, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.
______. O Seminário, livro 10: a angústia, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

Marcia Müller Garcez

domingo, 30 de julho de 2017

Cine Veredas!

Prazer em participar!

Próximo Cine Veredas está imperdível.
Documentário sobre Lacan
Debatedoras: Ana Paula Gomes e Marcia Müller Garcez
Dia 01/08
Terça-feira às 20:00hs
Mediador: Carlos Eduardo Leal






https://www.facebook.com/carloseduardolealvs/posts/10213891046418305

Quer saber um pouco sobre James Joyce?

Aqui vai o link de um artigo sobre o escritor Irlandês, James Joyce, a partir da abordagem de psicanálise lacaniana.


http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_10/Joyce_por_ele_mesmo.pdf

Psicoses, nós e remendos

Livro: Psicoses, nós e remendos 

Orelha, por Marcelo Veras.


Explorar os novos ambientes em que a psicanálise possa consolidar seus princípios é uma dos objetivos propostos por Lacan quando lançou, em seu texto sobre a fundação da Escola, a expressão psicanálise aplicada. A pesquisa pelo novo tem como função evitar que o saber analítico se torne datado, distante do mundo que o rodeia. Embora não venha dos bancos universitários, a formação do analista ganha forte apoio quando dialoga com os demais saberes. Esse livro de Marcia Müller Garcez chega ao leitor com a proposta de sustentar a teoria psicanalítica das psicoses privilegiando precisamente o novo e as peculiaridades de um saber fazer tanto do lado da clínica quanto do lado da própria psicose.
Marcelo Veras



Sinopse, pela autora.

O livro trata do tema das psicoses, demarcando o percurso de Lacan e seu avanço no campo da topologia. Conta com casos clássicos onde há o desencadeamento da psicose, como ‘Aimée’ e ‘Schreber’, assim como, o caso do ‘Homem dos Lobos’ que até hoje levanta importantes discussões diagnósticas. Há um investimento no manuseio dos nós, em sua formação borromeana, a partir de sua confecção para circunscrever esse universo topológico. Ao tratar dessa topologia nodal, é possível mergulhar no complexo conceito de sinthoma, trazendo à luz a noção de escabelo a partir de exemplos como: de James Joyce, Salvador Dalí e de uma análise levada a termo, destacando o tema dos finais de análise. O diferencial desta obra está também no uso dos nós como instrumento analítico e de direção de tratamento, considerando casos de psicose, onde ainda não se faz possível uma construção pela via do sinthoma. Nessas situações clínicas a invenção pode estar mais do lado do analista do que do próprio sujeito, podendo o analista fazer uso de um nó-remendo, emergencial, em casos de desencadeamentos eminentes, para que a aposta no sinthoma possa seguir. Para situar tal intervenção, conta-se com dois exemplos clínicos onde se destaca esse remendo operado pelos nossos colegas psicanalistas. Essa obra abarca o ensino lacaniano no que tange ao tema das psicoses, partindo dos seus primórdios – desde a tese de doutoramento de Lacan na psiquiatria – e culminando no derradeiro ou ultimíssimo ensino, onde a prática clínica se orienta pelo real.
Marcia Müller Garcez

 * O livro se encontra no site da Editora Prismas e Livraria da Travessa.


sábado, 10 de dezembro de 2016

A Procrastinação na adolescência e sua relação com o Discurso Capitalista


Temos esmiuçado o texto de Jacques-Alain Miller (2015) ‘Em direção à adolescência’ na Unidade de Pesquisa Clínica e Política do Ato, além de articulá-lo com outras leituras. O texto é uma proposta de Miller como orientação de trabalho para a Jornada do Instituto Psicanalítico da Criança, mas acaba por abarcar e contagiar toda a nossa comunidade psicanalítica, incluindo o próximo Encontro Brasileiro, intitulado ‘Adolescência, a idade do desejo’.
Um recorte do referido texto e que foi trabalhado por mim, em nossas discussões, diz respeito à procrastinação na adolescência. Após discorrer sobre a adolescênciaenquanto uma construção e toda a controvérsia que a sua definição implica, Miller circunscreve o campo da psicanálise e o que este já se ocupa em relação à adolescência logo de partida, a saber: a saída da infância; a diferença dos sexos; e a imiscuição do adulto na criança. Partimos então, para o que ele vai apontar como novo na adolescência, e consequentemente para a psicanálise, e que decorre de uma mutação na ordem simbólica. Esse novo apontado por Miller implica: uma procrastinação; uma autoerótica do saber; uma realidade imoral; uma socialização sintomática; e um Outro tirânico. Esses cinco aspectos são articuláveis entre si e optei por destacar o discurso da atualidade, a relação de consumo e o elemento pressa – que parece paradoxal à procrastinação. Se pensarmos a pressa a partir da dinâmica do discurso capitalista, proposto por Lacan, podemos seguir as pistas deste paradoxo pressa x procrastinação. Cabe então, fazer uma passagem rápida pela ideia dos discursos em Lacan.

Os quatro discursos
O primeiro dos discursos a ser explorado por Lacan(1992 [1969-70]) foi o do mestre, apoiado na teoria de Hegel, a partir da dialética do senhor e do escravo. O senhor dirige-se ao escravo, pois é ele quem detém o saber. Ele é essencial para a articulação dos demais e é considerado também como o discurso do inconsciente, pois o comanda, tratando de buscar um saber que escamoteie a verdade do sujeito e renuncie ao resto. Se fizermos um quarto de giro no discurso do mestre, vamos encontrar o discurso da histérica. A problemática apontada por Lacan é que o saber não-todo que o discurso do inconsciente ou do mestre tenta encobrir é justamente aquilo que escapa, o que pode produzir a causa de desejo fazendo com que o funcionamento falhe. É o discurso histérico que fará a passagem da resposta cristalizada do discurso do mestre para a abertura à pergunta sobre o desejo. Uma passagem do enunciado à enunciação.  
Ao fazermos mais um quarto de giro nesses esquemas construídos por Lacan, passamos ddiscurso da histérica, para o discurso do analista, que denota o que ocorre na atividade clínica. Ele muito nos interessa pelo fato de representar o avesso do discurso do mestre, sendo o que pode oferecer uma barreira ao discurso contemporâneo.
O quarto discurso proposto por Lacan, o universitário, situa o saber como agente, como um pretenso saber todo, que produz sujeitos, cuja divisão é desconsiderada. O aluno como objeto a é um produto,sendo aquele que nada sabe e para o qual o saber se dirige. 

Discurso Capitalista e procrastinação
Após ter elaborado a teoria dos discursos, Lacan formula a quinta modalidade, uma variação do discurso do mestre conhecida como discurso contemporâneo ou do mestre moderno: o discurso capitalista. Primeiramente, ainda enquanto teoriza sobre os quatro discursos, ao final do Seminário 17, Lacan situa o discurso universitário como o do mestre moderno (p.195). Em 1972, numa conferência em Milão ele o nomeia de capitalista e apresenta seu esquema. A grande novidade desse discurso é que todos os elementos são articulados apresentando uma nova dinâmica, a partir de uma organização – ou reorganização – das flechas.
Observando o movimento das flechas, percebemos a dinâmica capitalista que denota a relação direta do sujeito contemporâneo com os objetos de consumo, em um acesso imediato. Notamos também que, em relação ao discurso do mestre, a variação se encontra na inversão do lugar do agente e da verdade. O sujeito ($) com suas faltas, dividido, demanda ao significante-mestre (S1) que imediatamente se dirige ao saber (S2), o qual produz os objetos a serem ofertados ao sujeito recomeçando o ciclo, produzindo uma infinitização.
Esses objetos são os gadgets que vemos pululando na contemporaneidade. Se acompanharmos as flechas, vemos um movimento infinito, tal como o afirma Aflalo(2008): “produz-se, então, um trajeto de ida e volta em torno de um gozo perdido” (p. 83). Com este último discurso apresentado, esbarramos no grande paradoxo da lógica capitalista na atualidade: diante da oferta incessante do mestre moderno, algo precisa ser produzido, a fim de suprir a falta, com uma pressa para que a angústia não possa emergir; ao mesmo tempo, o excesso de produção e seu transbordamento de gozo acarretam dificuldades discursivas, que podem ser testemunhadas nas precariedades simbólicas, típicas do século XXI. É uma nova modalidade de discurso que não apresenta apenas uma variação do discurso original – do mestre ou do inconsciente – no intuito de evitação do real, mas demonstra uma organização de ofertas e demandas aceleradas e que na adolescência podemos fazer a leituracomo um “prolongamento da adolescência” apontado por Miller (2015).
É essa mesma velocidade que indica o outro ponto tratado como novo no texto ‘Em direção à adolescência’, que é a autoerótica do saber. O saber não é mais o objeto do Outro, não há mais negociação, o saber está no bolso e de imediato, nessa mesma lógica de consumir e consumir-se.  Não há mais relação com o Outro que passa a ser tirânico, e esse leque resulta nsocialização sintomática. Todos esses aspectos que indicam o que é novo na adolescência – e para a psicanálise na relação com ela – parecem partir dprocrastinação que se dá na contrapartida da pressa que escamoteia o real de uma passagem para o que seria uma vida adulta.


Referências:
AFLALO, AgnèsDiscurso capitalista. In: Scilicet: os objetos a na experiência psicanalítica, AMP, Rio de Janeiro: Contra Capa, p. 83-86, 2008.

LACAN, JacquesO Seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992 [1969-70].

MILLER, Jacques-Alain. Em direção à adolescência. Minas com Lacan, 2015. Disponível em: http://minascomlacan.com.br/blog/em-direcao-a-adolescencia/

OBS: TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG DO ICP-RJ COMO FRUTO DE ESTUDO DA UNIDADE DE PESQUISA CLÍNICA E POLÍTICA DO ATO. DISPONÍVEL EM: https://icprj.wordpress.com/2016/10/15/a-procrastinacao-na-adolescencia-e-sua-relacao-com-o-discurso-capitalista/